Força e Delicadeza

"Tá por aí?" dizia a mensagem no WhatsApp. Tive um máu pressentimento. Vinda em hora estranha e de um amigo em comum, temi que fossem novidades sobre Luciano, que não andava bem por esses dias. Uma daquelas notícias que a gente já espera receber e nunca espera receber.

Enquanto teclava "Tô", tentei afastar a expectativa ruim da cabeça com a lembrança de que, há cinco anos, quando Luciano passava por outro momento delicado, acontecera algo semelhante mas com final feliz. Daquela feita, havia sido um SMS que, com a mesma pergunta, em hora pouco usual, de outro amigo em comum, havia gerado a mesma apreensão. Naquele caso, a impressão felizmente fora descartada no torpedo seguinte. 

Desta vez, infelizmente, a segunda mensagem confirmou a pior hipótese. 

Putz.



Fiquei dividido. 

Por um lado, tinha vontade de estar perto da família para dar um abraço na Dona Dália (que tão lindamente criou seus 3 meninos), para acarinhar as meninas que perderam o pai (putz! com a mesma idade que eu e meu irmão perdemos o nosso; sei que elas encontrarão vários anjos pelo caminho pois as boas vibrações se realimentam), para tentar dizer algo relevante para Roberta e Duca (mesmo sabendo que nenhuma palavra nem o silêncio é relevante numa hora dessas), para fazer uma prece silenciosa (pois acredito nisso, inclusive no reencontro), para encontrar colegas de arte/ofício que certamente estariam por ali sem saber direito o que dizer, pra onde olhar, onde colocar as mãos (ah, esses roqueiros gaúchos e sua falta de jeito com as coisas da vida real!)... enfim, na falta do que fazer pra realmente ajudar, tinha vontade de simplesmente estar ali.

Por outro lado, sentia-me grato por estar longe, em Minas, prestes a entrar no palco para mais um show. Um pouco por covardia mesmo, confesso (ah, essa falta de jeito com a vida real!); um pouco por achar que não há maneira melhor de celebrar a vida de um músico do que fazendo música.

Enquanto tentava digerir a overdose de informação e emoção, fiquei brincando com uma vírgula: Bravo, Luciano! Bravo Luciano! Bravo, bravo Luciano! 

Uma vírgula bailarina, dançando entre dois significados da mesma palavra. Ambos valendo e descrevendo uma bravura digna de entusiasmados aplausos. Casa cheia, público de pé. A bailarina, elegante, como se tudo de extraordinário que fez fosse normal, sutilmente agradecendo.

Enquanto isso, a ficha foi (vai) caindo aos poucos como caem do telhado gotas da chuva que já parou faz tempo. Alguns pingos ainda cairão anos depois, mesmo em meio a uma tarde de sol. Ficarão uma fração de segundo pendurados na borda, alongando-se até não poder mais, refletindo um raio de luz e... cairão. Emitindo, ao tocar o solo, um som que só os mais atentos ouvirão.

foto: Melissa Mattos
Na madrugada, depois de um show que me ensinou muito sobre minha arte/ofício, naveguei por timelines repletas de mensagens doces oferecendo um pouco de conforto à familia. Oferecer conforto é uma forma de reconfortar-se, a gente fala também para tentar compreender o que diz. 

Não há como ser original numa hora dessas pois a tentativa de entender a morte acompanha o ser humano desde antes da descoberta do fogo. O significado, escorregadio, tá sempre alguns metros à nossa frente nessa corrida. Suficientemente perto para sabermos que ele existe (ela existe), longe demais para ser apreendido (aprendido).

Mas, putz, com um cara tão bacana, jovem e talentoso, todas as frases bonitas e bem intencionadas deixavam na boca um desesperançado gosto amargo de "Será? Mesmo?".

Foi aí que lembrei da força e delicadeza do alemão diante de tudo que a vida lhe trouxe e levou. Parei de brincar com a vírgula, fui direto ao ponto: "Será! Mesmo!"

foto: Gustavo Vara
bah: numa dessas conversas em estúdio, entre um take e outro, Luciano me contou que tinha ido surfar no Chile (se não me falham a memória e a geografia). Estava dirigindo com as pranchas amarradas no teto do carro. De repente, sentiu um tranco e o carro começou a andar mais rápido. Olhou pelo retrovisor e viu que as pranchas tinham caído. Aerodinamicamente mais livre, o carro havia ganhado agilidade e velocidade. 

Imprecisa ou não a lembrança, se me permitem, vou guardar essa imagem do alemão: agora ele está livre, mais leve e ágil, podendo voar mais alto, indo onde só o pensamento pode chegar. Pegando a onda perfeita pois, lá, ela existe. Tocando a nota justa pois, lá, tudo se harmoniza. Olhando pro retrovisor e vendo, em vez de pranchas no chão, só boas lembranças.

- Será? Mesmo?
- Será! Mesmo!

25nov2014

os tempos são outros / os erros, os mesmos

Está pacientemente explicado em todos os manuais de equipamentos de audio: tenha quantos elos tiver a corrente do som, o último equipamento a ser ligado e o primeiro a ser desligado deve ser as caixas de som. O motivo: alguns equipamentos, ao serem (des)ligados, produzem um ruído que pode danificar os alto-falantes. Nunca soube de um caso desses na vida real, mas seguro morreu de velho.

Ok, como diz o poeta mineiro, a lição sabemos de cor, só nos resta aprender. Nesses anos todos em que equipamentos de som fazem parte da minha rotina, raramente (des)liguei-os na ordem certa. Sempre ouço o tal ruído desnecessário e irritante que, por sorte, nunca danificou nada.

Dá-se no meu cérebro o mesmo tilt que rola quando leio PUSH/PULL em alguma porta. Sempre faço o movimento errado! Ou na fração de segundos em que a mão tem que decidir, afinal, qual é a gaveta das meias e qual só tem cuecas. Aberta a gaveta, triste constatação: era a outra.

Na hora de abrir a porta do armário da cozinha para pegar a erva-mate, a mesma coisa: geralmente coloco a mão e descubro (sempre surpreso, mais uma vez decepcionado) que aquele é o lado das dobradiças, a porta abre do outro lado. 

Se qualquer um desses casos fosse uma roleta russa, eu não estaria aqui para contar. 

Acredito serem desnecessários mais exemplos. Suponho que o caro leitor seja inteligente (apesar de estar lendo minhas bobagens). Só mais um, pelo prazer da conversa: 

De uns tempos para cá, quando pinta alguma ideia musical, eu a gravo em video no computador. Por incrível que pareça, dos programas que uso, o de video é mais simples do que o que só grava audio. E traz a vantagem de mostrar depois que diabo de acorde estranho eu estava tocando.

Quando está tudo pronto para apertar o REC, são oferecidas as opções DONE e CAPTURE. Eu sempre escolho DONE, e fico com cara de tacho ao ver a tela se fechar. Anta! A opção certa para começar a gravar é CAPTURE! 

Eu poderia erguer a sobrancelha, empostar a voz e dar uma desculpa respeitável: bah, tenho coisas mais importantes em que pensar do que esses detalhes. Mas, nah... devo reconhecer que já tive tempo mais do que suficiente para aprender. Mesmo estando, por vezes, com a cabeça na lua.

Outra possível desculpa que não vou usar: no caso das placas sinalizando como se abre a porta, a palavra PUSH remete sonoramente (aos falantes do português) ao verbo PUXAR e induz ao equívoco. Com o tempo a gente cola um imaginário post-it de cor berrante no cérebro para nos lembrar que a palavra gringa significa o contrário do que parece. E da próxima vez que temos que abrir uma porta só uma coisa reverbera no cérebro: é o contrário! o contrário! o contrário!

Sim, mas... contrário do quê mesmo? Infelizmente, um número par de contrários nos leva à estaca zero. O "contrário do contrário" deixa tudo como está. Como uma volta de 360 graus que parece mudar tudo e nada muda. E aí a gente se perde na conta dos contrários e repete (mais uma vez surpreso e decepcionado) o gesto errado ao tentar abrir a porta.

Mais uma desculpa: no lance de (des)ligar equipamentos na ordem certa, a pegadinha está no fato de que a ordem muda: as caixas de som devem ser as últimas ao ligar e as primeiras ao desligar. No cérebro pouco privilegiado deste que vos escreve a ciranda do contrário-do-contrário-do-contrário se repete no último-primeiro-último-primeiro.

Quanto ao DONE das gravações em video, poderia me desculpar dizendo que sempre imagino que a palavra se refira aos preparativos a serem feitos antes gravar (escolha de nome e localização do arquivo) que, quando são oferecidas as opções DONE e CAPTURE estão... DONE. 

No caso das gavetas do roupeiro e da porta do armário da cozinha, não tenho argumentos em minha defesa, meretíssimo. Culpado, peço a misericórdia de uma pena branda.

(*)

Ok, pequenos erros insignificantes dos quais a gente se dá conta mas não consegue corrigir. Mas... e os grandes erros? Aqueles que fazem a diferença e que, traçoeiros, nem sequer sabemos que cometemos? Como corrigí-los ou sobreviver a eles? Será que, sem dar bandeira, eles também são sementes de canções e poemas?


abraços!
nos vemos na estrada
onde quem me abre as portas
é minha música 
e o carinho de vocês
18nov2014



...

Amigos: hoje não vai rolar texto à meia-noite por motivos de : "tem dias que quero ficar quieto". Volto semana que vem. Enquanto isso, cuidem-se e divirtam-se (na ordem que quiserem)!



Bah: amanhã, 11h11min,  através do site www.screamyell.com.br/site vai ao ar o ESPELHO RETROVISOR, um tributo trilegal aos EngHaw capitaneado pelo Anderson Fonseca e com esta galera bacana:

01 Toda Forma de Poder (gessinger1986) por Anacrônica (PR)
02 Terra de Gigantes (gessinger1987) por Phillip Long (SP)
03 Refrão de Bolero (gessinger1987) por Monocine (SC/MG)
04 Infinita Highway (gessinger1987) por Strobo (PA)
05 Somos Quem Podemos Ser (gessinger1988) por Dingo Bells (RS)
06 Alívio Imediato (gessinger1989) por Dias Buenos (SP)
07 O Papa É Pop (gessinger 1990) por Forfun (RJ)
08 Pra Ser Sincero (gessinger/licks1990) por Tsubasa Imamura (Japão)
09 Quartos de Hotel (gessinger1991) por BLANCAh (SC)
10 Ando Só (gessinger1991) por Mário Wamser (MG)
11 Pose (gessinger1992) por A Banda Mais Bonita da Cidade (PR)
12 Parabólica (gessinger/licks1992) por Vera Loca (RS)
13 A Promessa (gessinger/casarin1995) por Nevilton (PR)
14 Ilex Paraguariensis (gessinger1995) por Bebeto Alves (RS)
15 3 Minutos (gessinger1997) por Dolores 602 (MG)
16 Eu Que Não Amo Você (gessinger1999) por Lula Queiroga (PE)
17 Concreto & Asfalto (gessinger1999) por Esteban Tavares (RS)
18 Números (gessinger2000) por Dario Júlio & Os Franciscanos (MS)
19 Dom Quixote (gessinger/galvão2003) por Fernando Anitelli (SP)
20 Outras Frequências (gessinger2004) por Borba (RS)
21 - Não Consigo Odiar Ninguém (gessinger2007) por Sonorata (MG)

Por enquanto, fica um emocionado agradecimento a todos que participaram. Em breve falo mais a respeito.


Mais detalhes, amanhã no jornal Zero Hora, com quem bati o seguinte papo:  


1. Você teve algum tipo de participação no disco, tipo opinando sobre os arranjos ou a escolha das música?

Não. Fiz questão de não me meter. Este tipo de projeto é mais legal quanto menos reverente for. Aqueles discos de dueto, clássicos da indústria fonogáfica... melhor deixar para um futuro longínquo, né? 

Quero mais é que minhas músicas se defendam sozinhas do que vier pela frente. Pouca coisa me deixa mais feliz do que andar por alguma cidade do nordeste e ouvir aleatoriamente uma música minha transformada em forró, em algum bar ou na beira da praia. Samba também é legal. Mas forró me deixa particularmente emocionado. Ou ouvir um mineiro enchendo de sutilezas a harmonia do violão para uma música que escrevi só com um baixo no colo e uma ideia na cabeça. 


2. Você chegou a ouvir as músicas do tributo? Algum arranjo que gostaria de destacar?

Sim, me emocionei muito! Mais do que algum arranjo especial, meu destaque vai para a diversidade geográfica e estilística das releituras. E para o fato de serem todos artistas que certamente terão uma longa estrada pela frente. Também achei legal a escolha livre dos caras abranger as 3 décadas de carreira.


3. O que achou do tributo? É algo que você esperava? De repente dá para esperar uma espécie de redescoberta dos Engenheiros nessa data redonda de 30 anos e tal?

Não esperava. Acho que meu trabalho nunca foi daqueles que emprestam prestígio automático a quem se aproxima dele, tipo a meia dúzia de compositores insensados que abrem portas para quem os regrava. Talvez por ser muito pessoal, não muito fácil de enquadrar. Quando a onda era rock, me achavam muito MPB. Quando a onda virou POP eletrônico, passaram a me achar muito rock. Quando era pra ser nacional, eu era muito gaúcho e quando inventaram o rótulo rock gaúcho, eu não tava mais aqui. Agora, que a onda é revival, dei um tempo na grife e sai solo. Não tô me vangloriando nem me queixando disso, mas é um fato. Por isso me surpreendeu o tributo.

Quanto a redescobrimento, é uma noção que já não faz mais sentido. Cada ouvinte/artista tá fazendo sua própria agenda. Tudo esta vivo, suspenso... no éter online.

ZH 11/112014

...

Engraçado: a gente vive moído pela estrada, dormindo em avião, virando noite em ônibus, esperando em hotel... e quando tem dois fins de semana de folga, sente falta. Ah, claro: são as duas horas de música por noite que compensam tudo!

Como quem ordena a pilha de papéis que a correria do dia a dia deixou empilhar, tô aproveitando estes dias para reformatar meu equipamento, pois agora já sei o que vem pela frente. Hora de limar o que ficou obsoleto, ordenar o que segue na estrada e, mais importante: pensar na transposição do disco para o palco. 

Por se tratar de um disco ao vivo, grande parte do caminho já está andada. Falta inserir as músicas que gravamos na serra gaúcha (Deserto Freezer, Voo do Besouro e Milonga Orientao; pois Nuvem e A Ponte Para o Dia já estão rolando).  

É um dos afazeres que sempre me deram mais prazer. No caso, criar uma interpretação para trio de músicas que tiveram outra formação (e convidados especiais). Imagino que seja parecido com o que sente um tradutor de poesia.

Quando fiz as versões em inglês do Simples de Coração, senti isso. A tentação de ser linear, literal, logo se prova limitadíssima. Às vezes há que optar entre forma e conteúdo, entre o som das palavras e seu significado. Quase sempre somos levados a, mais que traduzir, recriar. Vale o mesmo para os arranjos.

Nuvem
A Ponte Para o Dia
Voo do Besouro
Milonga Orientao
Deserto Freezer
Aos poucos estas novidades vão entrando no show. Recomeçaremos com um fim de semana que promete: São Luis e Teresina. Espero encontrá-los em algum ponto da estrada!

14nov: São Luis-MA
(outras passagens pela cidade: 1988, 1991,
1993, 2001, 2002, 2003, 2008 e 2012)

15nov : Teresina-PI
(outras passagens pela cidade: 1991, 2001,
2002, 2003, 2005, 2007, 2008 e 2010)

21nov : Varginha-MG
(outras passagens pela cidade:
1992, 1994, 2001, 2003, 2008 e 2010)

22nov : Itajubá-MG
(outras passagens pela cidade:
1988, 1989, 1993, 2000)

28nov : Ilhéus-BA
(outras passagens pela cidade:
2000 e 2006)

29nov : Teixeira de Freitas-BA
(primeira vez na cidade)

06dez : Tupã-SP
(primeira vez na cidade)

13/12 - Americana/SP
(outras passagens pela cidade:
1986, 1990, 1992)

Também deve rolar, em breve, a tradicional agenda de divulgação, coisa que, confesso, nunca me deu prazer. Ah, que inveja dos colegas que preferem falar do que tocar (ops, já passou, já passou)!

Com a concorrência das midias online, os canais tradicionais ficaram ainda mais conservadores. Risco zero, só querem as confirmadas. Até nas rádios a música foi perdendo espaço para... para, ahn... não sei bem o que é... acho que chamam de "humor", né? E nos jornais, há sempre o risco da frase tirada de contexto para gerar manchetes apelativas (ok, ok, devo reconhecer que meu jeito de falar, rápido e cheio de imagens, não ajuda muito a decupação).


É até compreensível a necessidade dos caras de manter suas audiências... e a audiência também tem responsabilidade no estado das coisas! Mas, enfim... certo é que às vezes rola uma sensação de oportunidade perdida. 

Alguns fãs mais radicais menosprezam as passagens pela mídia mainstream, esquecendo-se de que quase todos conheceram seus artistas favoritos numa passagem por este tipo de mídia. 


O importante é manter em mente que a vida não é só lá nem só aqui. Construir sem pressa / pra sempre. O desconforto de não poder avançar no diálogo com o público em algumas situações é compensado pela possibilidade de despertar a atenção de alguém que estava alheio. O início de um diálogo a ser aprofundado.


Difícil mesmo é expressar em palavras meu agradecimento a quem participou (e esta participando) dessa etapa da viagem; trabalhando, assistindo, mandando boas energias, ouvindo meus silêncios, ignorando palavras desnecessárias... Nada disso seria possível sem vocês, valeu!
04nov2014

E La Nave Va

Caminhando pelas ruas da minha cidade passo rente a muros cobertos de cartazes parcialmente descolados de shows que já rolaram. Um cartaz é sempre uma promessa. Como terão sido esses shows? Em que muros, o tempo, com seu mover constante, colará e descolará cartazes do Insular ao Vivo?

Escrevo para agradecer o carinho das mensagens que pintaram semana passada, quando foi ao ar a capa do projeto. Aproveito para passar informações pra quem tá chegando agora e responder algumas perguntas que me fazem por aí: 

Insular ao Vivo é um CD/DVD que traz a gravação de um show em Belo Horizonte ao lado de cinco canções gravadas na serra gaúcha com convidados que fazem parte dos universos inSULar e Pouca Vogal. É um projeto independente, em parceria com a Estreia Produções, sem uso de leis de incentivo, a ser distribuído pela Coqueiro Verde Records e veiculado (a partir do ano que vem) pelo Canal Brasil. Prometeram-me que dia 15 de novembro terei meu exemplar em mãos. Deve chegar às lojas alguns dias depois (emSEUlar, se você quiser).

Participarei de alguns eventos de lançamento nas Livrarias Saraiva (informo onde e quando em breve). Nossos amigos da Stereophonica continuarão oferecendo a opção de receber autografado (algo que, depois do Pra Ser Sincero, Mapas do Acaso, Nas Entrelinhas do Horizonte, Agenda 2013, Seis Segundos de Atenção e do CD inSULar, já virou uma tradição para os mais chegados).

Mais do que simplesmente registrar versões ao vivo do disco mais recente, o plano sempre foi dar uma geral na minha produção musical de 30 anos sob a luz do momento que vivo. Uma frase assim faz parecer que tudo esta sempre no controle de quem cria, né? Ilusão. O acaso também joga suas cartas. E deixa tudo mais... ahn... vivo.

Um exemplo: desde o início pensei em gravar uma das minhas peças mais longas, mas tinha dúvida sobre qual. Nada Fácil / Olho do Furacão Conquista do Espelho / Conquista do Espaço estavam, ao lado de outras, na lista de possibilidades que foi se definindo até restarem, no dia da gravação, A Violência Travestida Faz Seu Trottoir Exército de um Homem Só I e II.

A ideia era gravar as duas e decidir depois qual iria para os discos. Na passagem de som em BH, do nada, pintou um ruído no baixo Warwick Fortress (o verde, de quatro cordas). Descobrimos que era interferência de um equipamento novo da luz projetada para o show. A solução foi usar o Rickenbacker que estava de stand-by. Depois de meses refinando o som do Warwick para a introdução e algumas partes especiais de A Violência Travestida Faz Seu Trottoir, não consegui ficar satisfeito com o som do velho Rick nesta canção (originalmente gravada com um Steinberger).

Eu poderia tocar a música com o Warwick Corvette (de seis cordas), ou com a Steinberger de dois braços. Ambos me deixariam mais satisfeito com o som. Mas, caramba, se eu tivesse um baixo de seis ou uma doubleneck em 1990quando escrevi a canção, não teria bolado o arpeggio  e os acordes (pouco usados em baixo) do arranjo original. O legal mesmo era fazer com o baixo de quatro cordas. 

Enfim... coisas insignificantes para 99 entre 100 pessoas, né? Mas não se trata de um disco de 99 pessoas, né? Optei por Exército de um Homem Só I e II que fecha bem o show e traz a doubleneck como um emblema da minha paixão pelo formato trio e de minhas tentativas de ampliar seus limites. E, por acaso, este momento acabou virando capa.


A quem acha que eu deveria ter gravado mais hits, gostaria de dizer que nunca penso nas minhas músicas nesses termos. Seria como chamar um filho de "aquele de óculos", colocar uma eventualidade acima da essência. Não me orgulho nem me envergonho do sucesso popular. De fato, deixei de fora uma lista de hits que poderia completar um álbum inteiro. Mas gravei vários e, nos shows, tenho tocado outros tantos. Acho que ficou de bom tamanho.

A quem preferiria que eu não gravasse nenhum hit, gostaria de dizer que nunca penso nas minhas músicas nesses termos. Seria como chamar uma filha de "aquela de blusa azul", colocar uma eventualidade acima da essência. Não me orgulho nem me envergonho do sucesso popular. Nesses tempos em que artistas com muito mais sucessos do que eu recheiam seus shows com covers, tomo este tipo de pitaco como um elogio de quem curte meu trabalho autoral e quer sempre mais novas canções.

( É sempre bom contextualizar a palavra hit, né? Não deixá-la sair da proporção do artista a que se refere. Happy do Pharell Williams é um hit e o Koln Concert do Keith Jarret também é. Cada um na sua. )

As raras manifestações um pouco mais tacanhas de ambos os lados coloco na conta da informalidade excessiva e sem lastro na vida real que toma conta da comunicação virtual. Imagino que venham de pessoas que, ao pedir uma foto ou um autógrafo, são muito cordiais e queridas.


Assim como o acaso, a dúvida também senta na mesa desse jogo. E o deixa mais... ahn... vivo. Fiquei em dúvida entre gravar ou não Esportes Radicais. Queria bastante, mas não cheguei ao arranjo certo nem para o trio em BH nem para alguma formação alternativa na serra. Fica para uma próxima.

Também fiquei em dúvida se deveria incluir ou não Pra ser Sincero. Mas esta foi uma dúvida muito breve, passageira, que não resistiu ao belíssimo coro da galera em BH, à luz sensacional (que só vi na edição), ao clima de falso fim de show que ela traz em cada noite da tour, antes que a gente toque Parabólica, Dom Quixote, Exército e os bis... Como se eu dissesse, sorrindo, para quem já deu minha carreira por encerrada várias vezes, o que Galileu disse para quem o obrigou a renegar sua convicção de que é a Terra que se move em torno do Sol : Eppur si muove (no entanto ela se move). 


bah 01: Caminhava pelas ruas da minha cidade passando rente a muros cobertos de cartazes parcialmente descolados de uma campanha política passada. Cartazes são sempre promessas... serão cumpridas essas?

Enquanto sigo, muros seguem passando por minha visão periférica. É assim que os surfistas ávidos por adrenalina que vejo em programas da TV a cabo devem enxergar as paredes dos tubos formados pelas ondas.

Chuva de Containers rola na rádio da mente como um mantra enquanto tento ficar imune aos histéricos xiliques-puxões-de-cabelo-arranhões-faniquitos verbais que rolam por aí (petralha-coxinha-coxalha-petrinha-gugú-dadá...). Então...

... os três chegaram armados em duas motos numa rua deserta, tacaram o terror padrão e levaram o celular deste pedestre convicto. Não pareciam famintos nem chapados, para citar dois estereótipos de assaltantes que esquerda e direita teimam em reforçar. Não cheguei a ver seus rostos, mas, na fala (e na humanidade), pareciam-se comigo. Espero que um dia pensem como eu: que um celular não vale a violência. E Humano Demais começou a tocar na rád'inconsciente.

No mais, é vida que segue aqui embaixo. Cada um contribuindo (para o bem ou para o mal, consciente ou inconscientemente) de várias formas para as coisas serem como são ou como poderiam ser. Insular ao Vivo é minha vigésima primeira contribuição fonográfica.


bah 02: fiquei sabendo que dia 11jan2015, exatos 30 anos após meu primeiro show (EngHaw na Escola de Arquitetura), a tour Insular Ao Vivo vai passar por Sampa. É cedo eu sei, mas já convido toda a tribo para comemorarmos juntos ouvindo Sampa no walkmaaa-aaaa-aaan.

bah do bah 02: ops, a produção acaba de me informar que o show em Sampa será dia 10. De qualquer forma, estaremos no palco à meia-noite ;-)
abraços 
28out2014

ops, ops, mil vezes ops!

Hoje não vai ter texto. Por motivos de: caiu a ficha. E ela pesava uma tonelada. E caiu sobre o dedo minguinho. E a unha estava encravada. E a ficha rolou, rolou, rolou e caiu no ralo. Entupiu o cano, inundou a vida.

Calma, calma, sem exageros! Foi uma iluminação, sim, mas bem simplinha. Poderia ter passado batido, não fosse eu um cabeção.

É o seguinte... 

...quem me conhece sabe que segunda é meu findisemana. No meio da tarde coloco a raqueteira nas costas, caminho uma hora até a quadra e passo outra hora brincando como criança imitando meus heróis: Bjorn Borg, Bóris Becker, Federer; todos super-homens. Só não imito o Guga porque ele é tão genial, mas tão genial, que até parece humano.

Depois da brincadeira, caminho até a Stereophonica e, pelo preço de um café com leite, faço os autógrafos da semana. Baita findisemana esse meu! Só coisas legais: caminhada, tênis, café e conexão caligráfica com os De Fé. Num passe de mágica, todo o tédio dos hotéis, ônibus e aeroportos do fim de semana real é retirado do meu sistema.

Pois bem, hoje não rolou jogo por motivo de: eu tinha uma consulta médica. 

Cheguei pontualmente na hora marcada e a secretária, educadamente, falou: "por favor, aguarde um instante, sr. Humberto, vou tentar um encaixe". Encaixe?!? "Sim, sua consulta está marcada para a segunda da semana que vem". 

Caramba! Atrasos e confusões de horário são normais na vida de qualquer um, né? Mas não na vida deste capricorniano imbecil que vos escreve! Deve haver algo aí...

Disse para a secretária que não precisava se incomodar, voltarei semana que vem. Quando se trata de saúde, a tese deste escriba medroso é "nunca faça hoje o que puder fazer amanhã"; ou, como dizem os gringos: "if it ain't broke, don't fix it" (ok, ok, esqueçam que eu disse isso - brincadeirinha - prevenção é tudo!).

Quando estava esperando o elevador para sair do prédio, tocou o celular: era meu parceiro de tênis perguntando por que eu não havia aparecido. Quem joga sabe que faltar à pelada é pecado capital e eu, putz, havia esquecido de avisar que não poderia jogar hoje.

Resumo do dia: não fui aonde deveria ir, estava onde não deveria estar. Sinais claros de: tô com a cabeça muito cheia de coisas! Caiu a ficha. Resolvi dar um tempo, hoje não faço mais nada, nem este texto. 

bah: Cheguei em casa, peguei a sanfona, sentei em frente à janela e fiquei testando algumas ideias para minha participação na gravação do DVD do Duca. Os shows serão nos dias 11 e 12 de novembro. Com certeza, a data é esta... mas... será 2014?

Abraços!  
Semana que vem voltaremos com a programação normal. 

vícios de linguagem - 169

tudo se resume
a uma briga de torcidas
e a gente ali no meio
no meio das bandeiras

o jogo não importa
ninguém tá assistindo
e a gente ali no meio
no meio da cegueira

tudo se reduz
a um campo de batalha
e a gente ali no meio



tudo se resume
à disputa entre partidos
lama na imprensa
sangue nas bandeiras

a verdade passa ao largo
como se não existisse
e a gente ali no meio
como se não existisse

tudo se reduz
a uma cruz e uma espada
e a gente ali no meio 



tchê, de que lado tu estás?
ninguém pode agradar aos dois lados
hey, it's time to make a choice
we all want to hear your voice (it's true)
faça a sua aposta, tome a sua decisão



tudo se produz
na mesma linha de montagem
apogeu e decadência
na mais nobre linhagem
votos de silêncio
vícios de linguagem
nada traduz



hey, don't you know that you are
in the middle of a war (yes, you are)
tchê, de que lado tu estás?
ninguém pode ficar no meio do tiroteio
now it's time to say whose side you're on 


tudo se presume
se resume, se reduz


e o principal fica fora do resumo

(Vícios de Liguagem, 1995)

Quis o destino que eu gravasse estes versos em Los Angeles e que as incríveis Waters Sisters fizessem os backing vocals. Pra evitar o estranhamento do inevitável sotaque delas cantando em português, optei, na última hora, por passar algumas frases para o inglês. Por simetria, radicalizei também para o outro lado, usando o tú e o tchê  característicos dos gaúchos.

Na canção Lado a Lado, do mesmo disco, dois cantores americanos igualmente incríveis fizeram o coro. Neste caso, me agradou a bandeira que o sotaque dava quando eles cantavam em português. A dificuldade gringa de cantar o nosso “ÃO”, entre outras coisas, me soava interessante. Cada caso é um... 


(*)

Às vezes, manter as diferenças, entendê-las e tentar harmonizá-las, me parece mais adequado do que a ilusão de uma linguagem comum. Mas tem que ter a manha pra saber quando a possibilidade de uma linguagem comum é mesmo ilusória. E quando é possível harmonizar diferenças.



Ao contrário da linha reta, numa ferradura, os extremos estão mais próximos entre si do que do centro. Será que vale usar essas figuras geométricas simples como analogia para o complexo espectro político? E qual delas representaria melhor, a que aproxima ou a que distancia os extremos?

Gosto do sangue quente dos extremistas, mas a falta de sutileza me cansa. Gosto do sangue frio dos centrados, mas a falta de sonhos me cansa. O jeito é seguir tentando, errando e tentando novamente pois a vida não oferece soundcheck antes do show.

souncheck
ou
passagem de som
ou
prova de som
sempre
1, 2,
alou, alou,
1, 2
tesssste...
não quero seduzir
teu coração turista
não quero te vender
o meu ponto de vista

eu tive um sonho
há muito não sonhava
lembranças do  futuro
que a gente imaginava

nem sempre foi assim
outro mundo é possível
pode até ser o fim 
mas será que é inevitável?

não vá dizer que eu estou ficando louco
só por que não consigo odiar ninguém
do goleiro ao centroavante
do juiz ao presidente
eu não consigo odiar ninguém

( Não Consigo Odiar Ninguém, 2006 )

abraços
14out2014

andamento (168)

Como assim?!? Dei o último CONFIRMA, a urna apitou e... nada mudou! Cadê o paraíso prometido? Ah, entendi: este apito não anuncia o fim mas, sim, o início de um jogo. E a política institucional não é a única - talvez nem a mais poderosa - ferramenta de transformação. Sim, a mudança se constrói aqui embaixo, dia a dia, num jogo sem início nem fim, que tá sempre rolando.

Os processos sociais, às vezes, são frustrantemente lentos, cheios de idas e vindas, avanços e retrocessos. Há que persistir na caminhada, valorizando cada pequeno avanço, relativizando inevitáveis tropeços.

Mas, sem exageros nessa paciência, né? A desculpa de que somos uma democracia incipiente tá perdendo o prazo de validade. Se ficar tudo para o "porvir", o papo deixa de ser político para entrar na seara das promessas religiosas. Melhor não misturar, a César o que é de César e...


Tive que me valer da memória na hora de digitar os números certos na urna pois, como tenho feito cada vez mais, sai de casa sem meu celular. Um fato prosaico que, junto a outros que tenho notado (tenho passado mais tempo sem óculos, comprei um teclado mono e analógico), sinaliza vontade de achar meu próprio tempo nessa correria insana. Achar meu tom nessa gritaria absurda.

Assim como as canções soam melhor num determinado andamento e tom mesmo que possamos tocá-las mais rápido ou mais lentamente, gritando ou sussurrando. Velocidade para ir aonde? Certeza absoluta de quê? É uma ilusão achar que podemos processar toda informação que passa por nós. E informação não processada, o que é? 

Há alguns meses, a produção do DVD inSULar me obriga a estar conectado o tempo inteiro, decidindo coisas com a equipe. Na reta final, resolvemos colocar no pacote um CD, o que prolongou um pouco o período de trocas de emails que, por vezes, invade a madrugada. Mas agora a sorte esta lançada, os discos estão na fábrica. Posso me dar ao luxo de tirar os óculos e ignorar as notificações de mensagem do celular. Desacelerar. Só assim pintam novas ideias para que siga o jogo sem início nem fim.

Pois é, quem diria?, virou um luxo decidir (como nas canções) a velocidade e o tom das nossas vidas. Não abdicar da escala humana; nem pra mais, nem pra menos. Tentar unificar o que queremos, podemos e precisamos falar e ouvir, fazer e sonhar. Um luxo maior do que ter o mais veloz e potente smartphone.

(*)

bah 01: sim, também acreditei que máquinas mais velozes estavam economizando meu tempo. Até começar a desconfiar que elas nos hipnotizam e nos fazem querer cada vez mais, correr cada vez mais rápido em direção ao... novo processador mais rápido.

bah 02: o DVD chega em novembro.

um abraço
a seu tempo
07out2014

vôos e voos - o que muda e o que permanece (167)


Pela janela do avião, o horizonte parece o mesmo de sempre (se chamarmos de "sempre" o período relativamente curto de 30 anos no qual sou um viajante aéreo constante). 

Hotéis, estrada, aeroportos... assim quis minha arte/ofício. Ao lado de um milhão de coisas legais, um pequeno efeito colateral indesejado: minha paciência para viagens tá sempre no limite. Nas férias (férias?!? o que é isso?!?), evito viajar, o que deixa Adriane e Clara sozinhas nos tradicionais passeios que mulheres geralmente fazem com marido e pai. Mas... tudo bem, não chega a arranhar nosso imenso bem querer.

Entre uma mirada e outra pela janela, caio em rápidos cochilos estimulados pelo horário e rotina caóticos de um músico em tour. Cacos de sonho fragmentado misturam idas e vindas, origens e destinos, diferentes tours, novos e antigos companheiros de jornada... harmonizando coisas que, estando desperto, pareceriam incompatíveis.

A soneca é interrompida pela voz distorcida do piloto que, ao avisar que logo pousaremos, aproveita para lamentar a fumaça das queimadas que se enxerga sangrando o horizonte. Outra visão que, infelizmente, não parece mudar nessa região.

Do lado de dentro da janela, os procedimentos de apertar o cinto e retornar o encosto da poltrona para a posição vertical são os mesmos de "sempre". Mas muita coisa mudou; por exemplo: já não se fuma a bordo. Lembro de como era surreal poder fumar da fileira 01 à 15 e ser proibido da 16 à 30. Como se fizesse diferença para quem sentasse num ponto fronteiriço entre os 2 mundos, como se a fumaça respeitasse geometrias cartesianas.

Desapareceram também os jornais que eram distribuídos num carrinho que a gente torcia que chegasse até nossa fileira antes de acabar a pilha do jornal mais legal. Em tempos anteriores às - agora onipresentes - telas digitais, era o que tínhamos para mascarar a lentidão da passagem do tempo em voos longos. Em tempos pré-www era muito interessante, a cada escala do voo, receber os jornais locais; sacar o que mudava e o que permanecia igual em cada região desse país continente.

Há, ainda, a constatação de que voar ficou mais acessível, o que é uma boa mudança. Como efeito colateral, aumentou o desconforto físico em aeronaves e aeroportos com cada vez menos espaço. Mas o lance é cobrar melhorias das estruturas e do serviço em vez de reclamar que uma parcela da população, antes excluída, agora está inserida nesse universo, né? 

(*)

Saber dançar, surfar, entre o geral e o particular, entre macro e micro, entre o que muda e o que permanece é fundamental para manter a sanidade mental. Cabeça nas nuvens e pés no chão! Olhar para longe, para o horizonte imutável, quando o caos do dia a dia quer nos drenar para o ralo da insignificância; mergulhar na agitação do cotidiano quando uma visão muito atemporal ameaça nos deixar apáticos e paralisados.



Domingo teremos eleições, né? Desejo a todos um voto inspirado. Realista e otimista, se for possível (como nos cacos dos meus sonhos aéreos) harmonizar estes pontos de vista.

Não se deixem contaminar pelo baixo astral intolerante que pinta a cada quatro anos. Ele é só um pequeno efeito colateral indesejado de algo com um milhão de aspectos bacanas: a chance de escolher. Tentem não sonhar o sonho dos outros nem sonhar sozinhos. E boa sorte para todos nós nesse novo trecho da viagem!

estamos no mesmo barco
sob a mesma lua 

30set2014